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O transporte de animais de estimação está bombando. Por isso, convidamos a jornalista Bruna Quintanilha, autora do blog http://palavradecao.wordpress.com, para fazer um artigo sobre as novidades no transporte dos bichinhos que tanto amamos. Confira as suas dicas.


 

Viajar é sempre uma delícia. Mas explorar novos lugares e culturas ou até mesmo visitar um amigo antigo ou família exige planejamento. Para quem tem animais então o trabalho é redobrado. Quem planeja levar o bichinho durante os dias fora de casa deve estar atento aos cuidados e regras para o transporte de animais.

No último dia 31 de março a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) publicou no Diário Oficial novas regras para o transporte de animais pelas linhas rodoviárias intermunicipais em São Paulo. A partir de agora só podem viajar de ônibus no estado os animais com no máximo 10 kg. Além disso, eles devem ser transportados em uma caixa apropriada e possuir um atestado sanitário emitido por um veterinário até 15 dias antes da viagem. A grande mudança está na tarifa. A nova regra exige que o animal pague uma tarifa integral do trecho pelo assento utilizado pelo bichinho. No caso das aves é necessária uma autorização de trânsito emitida pelo Ibama.

Já quem vai cair na estrada de carro deve garantir que os bichos viagem sempre no banco de trás e com a cabeça dentro do veículo (nada de curtir um ventinho). Eles devem estar em caixas de transportes adequadas ao seu tamanho ou com a guia presa ao cinto de segurança.  Outra alternativa são os cintos de segurança feitos especialmente para cães, que lhes garante mais conforto e podem ser encontrados em pet shops.

Mas, se a viagem for de avião, fique atento e entre em contato o quanto antes com a companhia aérea. Isso porque cada empresa tem regras próprias para o transporte dos pets e a maioria estipula um número máximo de animais por vôo (normalmente dois). Vale lembrar também que todas as companhias exigem a carteira de vacinação do animal, comprovando que as vacinas estão em dia e um atestado de saúde emitido por um veterinário até uma semana antes do embarque.  Segue abaixo as regras para transporte de animais da Gol, TAM e Azul.

TAM

A empresa permite o transporte de cães e gatos tanto na cabine quanto no porão do avião. Na cabine são permitidos animais que pesem, junto com a caixa de transporte 10 kg (esse detalhe é importante porque todas as companhias contam sempre o peso do animal mais o peso da caixa, portanto se o seu pet já pesa 10 kg, provavelmente ele não se encaixará nesse padrão). Se o peso for superior a isso, ele deverá viajar no porão.

São permitidos somente dois animais por vôo, por isso é aconselhável se informar antes de comprar a passagem se tem vaga para o bichinho no mesmo vôo.  O serviço custa R$ 90 mais 0,5% do valor cheio da tarifa multiplicado pelo peso do animal mais a caixa. Mas fique atento, pois o valor cheio da tarifa pode não ser o mesmo que você pagou. Por exemplo, se você pagou R$ 200 por uma passagem promocional, mas o preço cheio do bilhete é de R$ 800, o peso será multiplicado por 0,5% de R$ 800.

Gol

Nesse caso quem é responsável pelo transporte é a Gollog (serviço de transporte de cargas), uma vez que só é permitida a viagem de animais no porão.  Os animais devem viajar em caixas de transporte adequadas para seu tamanho e resistentes (a companhia aconselha fibra de vidro ou plástico rígido). Na Gol também é cobrada uma taxa fixa de R$ 90 mais 1% do valor da tarifa cheia (a mais cara) vezes o peso do animal mais caixa.

Azul

Todos os animais são transportados na cabine, mas só podem viajar aqueles que pesem, junto com a caixa de transporte, no máximo 5 kg. Podem viajar até três animais por vôo e a tarifa é fixa em R$ 100.

 

Por: Sergio Quintanilha às 18h02

Ilha do Papagaio

Como estaria a Ilha do Pagagaio? Faz tempo que não vou lá. Mas, de qualquer forma, gostaria de publicar este texto feito pela jornalista Isabel Reis para a revista Minha Viagem número 3. Os valores não estão atualizados, mas pelo menos serve para você conhecer um pouco do espírito da bonita ilha ao sul de Florianópolis.

Ilhas têm certo mistério. Talvez pelas histórias que lemos na juventude, sobre tesouros enterrados. Pelo solitário Robinson Cruzoé e o seu inseparável Sexta-feira. Por um perseguido Conde de Monte Cristo, que não encontra sua alegria, mas acha riqueza dentro de um baú escondido numa ilha. Ou talvez porque simplesmente sempre pensamos em ilhas como lugares paradisíacos, cheios de paz e de natureza.

A Ilha do Papagaio, a 40 km de Florianópolis, em Palhoça (SC), sempre criou um mistério na minha mente. Há cinco anos tentava ir para lá, mas sempre acontecia algo. E a viagem foi sendo adiada, adiada, aumentando ainda mais a expectativa de lugar mágico. Garantida pela grife de participar do Roteiro de Charme, que sempre mostra hotéis especiais em paisagens especiais, a Ilha do Papagaio apareceu no meu e-mail, sem mais nem menos, oferecendo um pacote para o feriado da Semana Santa. Parecia um sinal! Depois de tanto tempo, estava na hora de ir para lá!

Respondi ao e-mail e a reserva foi feita rapidamente. Muito gentil, a mesma Fernanda Bitencourt que assinava pelo e-mail da promoção, informou sobre as características da ilha: fica muito perto do continente, a 5 minutos de barco. Imaginava uma ilha mais afastada, mas concordei. Fiz reserva pela Gol, dei número do vôo e horário de chegada e uma pessoa contratada pelo hotel me aguardava no aeroporto de Florianópolis (sai de São Paulo). Havia mais alguns hóspedes e todos foram na mesma van. Cruzamos por Floripa, pegamos a BR 101 e seguimos em direção ao sul. Quase uma hora de viagem, apesar dos apenas 40 km mencionados como distância até o local de embarque para a ilha.

Na cidade de Palhoça, saímos da rodovia e seguimos até a Praia do Sonho. Só existe travessia das 8 às 18 horas, portanto, é preciso escolher bem os horários de chegada. Foi curioso, porque a van que nos buscou no aeroporto não tinha nada off-road, ao contrário. Estava carregada e pesada. Entretanto, foi obrigada a encarar um bom trecho de areia fofa, pela praia. Desde a época em que meu pai dirigia sua Rural Willis (a precursora dos Sport Utilities) na Praia Grande, SP, quando criança, não via carros trafegarem pela praia! O pior, é que vários estavam encalhados na areia. O motorista da van quis parar. Como assim? E o que fazemos com as malas? Carregamos nas costas até o tal do barco? No final, enquanto uma onda descia e a nova não chegava, o motorista foi beirando o mar, na areia dura, até o nosso transporte marítimo: um bote minúsculo que transportava cinco pessoas por vez, sem malas!

Comecei a achar que ilhas podem ter menos charme do que sonha a vã imaginação. O transporte do aeroporto até a ilha é pago a parte: R$ 140 por pessoa, ida e volta. Já tinha gastado R$ 800 de passagens aéreas. E os três dias de hotel não eram nenhum absurdo, mas também não ficaram baratos: R$ 1 073,00, em quarto intermediário. A conta estava ficando alta! A simpática Fernanda havia informado que era possível fazer o trecho por mar, desde o aeroporto, mas não abriu indicou: é mais demorado e depende de o mar estar para “peixe”. Depois, descobri que o barco que normalmente faz essa travessia estava quebrado.

Sentei no bote com mais quatro pessoas e fiquei imaginando o que viria depois da curva. Segundo o rapaz que nos recepcionou, o hotel ficava logo ao lado do final da Praia do Sonho. Com maré bem baixa, dava até para cruzar a pé do continente até a ilha. Menos de 5 minutos depois, aparece um visual de bangalôs, bandeiras brancas balançando ao vento e muito verde. Sim, parece ter valido a pena a espera de cinco anos e o investimento na viagem.

São 21 chalés com aparência rústica, mas muito confortáveis: alguns colados uns nos outros, alguns mais afastados, maiores, menores, com varanda e rede, sem varanda e sem rede… Mas, todos de frente para o mar! Ou melhor, para o mar e para o continente, pois dá para ver toda a Praia dos Sonhos, em Palhoça. Também ficamos de frente para muitos pontos na água. Em certo momento, imaginei que eram pássaros. Como não se mexiam, nenhum voava, achei que eram bóias. E eram: existe uma fazenda com criação de ostras e mariscos do próprio hotel. Quem ama ostras, tem o produto vindo diretamente do mar para a sua mesa. Fantástico!

O bote atraca e as recepcionistas já estão ali, na areia, esperando pelos hóspedes.  Não é necessário preencher nenhuma ficha na chegada: isso é feito pela internet, ao efetuar a reserva. Na mesma internet preenchemos um formulário informando sobre o tipo de comida e bebida preferida e se existe alguma restrição a certos alimentos. Fiquei impressionada. Lembrei do Hotel Sheraton de Chicago, que mais parece uma estação de trem. Tão imenso e com uma impressionante população que entra e sai, sem parar. Na Ilha do Papagaio fui chama pelo meu nome desde a recepção.

O lugar impressionou, reforçado pela linda tarde ensolarada. Muito bem decorado, com piscina junto à praia, quiosques e o restaurante principal (para almoço e jantar) de frente para o mar. Sempre existe o cuidado de uma proteção de plástico contra o vento – que pode ser bem forte em certos dias de chuva e de frio. Não dá para esquecer que Santa Catarina têm lugares lindos, como este Parque Nacional da Serra do Tabuleiro, do qual faz parte a ilha. Mas devemos lembrar, antes de reservar a viagem, que a região também está sujeita ao mau tempo que vem do sul. 

A ilha só tem o hotel. E o hotel só possui um único dono: Renato Sehn. Renato, por sinal, apareceu na manhã seguinte, Sexta-feira Santa, do nada, como o Robinson Crusoé da minha história. Usava bermuda e camiseta simples, descalço, e com a pela queimada pelo sol. Perguntou se havia visto as formações arqueológicas de uma antiga tribo que um dia existiu na região. E conversando, sem pressa, mostrou umas marcas redondas nas pedras, onde esses indígenas afiariam as suas facas para a pesca. Interessante!  Nosso Robinson Crusoé moderno entende de marketing e transformou aquele pedaço de terra cercado de mar por todos os lados, num hotel que reúne hóspedes do mundo todo. A ilha, disse Renato, foi adquirida por seu pai nos anos 50. Ele continuou o sonho paterno e foi além: conseguiu manter a paz, mesmo recebendo mais de 40 hóspedes ao mesmo tempo.

Fazendo um tour pela ilha, Renato conta sobre a família: a esposa que mora no continente, a filha que vive fora do país (mas que estava lá, naquele feriado) e o filho que foi criado numa casa de árvore. É verdade: Renato fez uma casinha na arvore, para o filho brincar. Ele cresceu e continuou querendo a sua casa na árvore. Renato ampliou, criou um belo chalé em volta da árvore, que está linda e intacta. Ele demonstra ter uma grande preocupação ecológica.

Todas as pessoas que trabalham na Ilha do Papagaio parecem ter orgulho do que fazem. Muitos garçons, por exemplo, têm curso superior e já moraram fora do Brasil. Conversam sobre tudo: música, política, turismo local e possibilidades de crescimento. Falam também sobre sonhos, como o de lançar uma revista que fale apenas do turismo de Floripa e arredores.

Existem algumas atrações por lá. Em dias calmos, com certeza, pode-se mergulhar: a parte frontal dá uma pequena baia muito calma, protegida pelo continente e de costas para o mar aberto. É possível nadar, fazer caiaque… O outro lado da ilha tem mar aberto, que bate forte contra as rochas. Mas o visual é lindo. Especialmente, fazendo trekking pelas inúmeras trilhas. A do Coqueiro Alto tem uma paisagem incrível, a 64 metros de altura, com visão completa para o poente. Avista-se todo o contorno da Serra do Mar (este pedaço é chamado Serra do Tabuleiro). À direita, temos a visão do sul da Ilha de Santa Catarina, da baía de Naufragados e da Ilha de Araçatuba. E olhando em frente, há o morro do Papagaio Grande (reserva ecológica da Pousada). Enfim, nenhum passeio assustador, com trilhas curtas, de 115 a 270 metros.

Depois da atividade matinal, nada melhor que uma massagem feita num bangalô no meio da Mata Atlântica. Recomendado! E como ninguém é de ferro, é chegada hora de aproveitar a gastronomia. Como entrada, ostras e mariscos. Como prato principal, delícias tradicionais do hotel, como camarão ao bafo com geléia de pimentas, salada de Siri Manga, tudo regado por Loripira (caipirinha com folhas de bergamota macerada). Se sentir falta de shopping center, vá até a lojinha da illha, que oferece roupas esportivas de bom gosto. Ou compre uma jóia para a sua esposa, confeccionada pelo designer Antonio Bernardo.

À noite, depois do jantar, não há programa melhor que olhar as estrelas e escutar o som das ondas batendo na praia. Se preferir tecnologia, há TV no quarto e opções de filmes em DVD numa sala de entretenimento. Também é possível apenas ler um livro, deitado na rede, observando, às vezes, o reflexo das luzes do continente no mar.

Como nem tudo é perfeito, no último dia choveu e o mar arrepiou. O bote fez os seus 5 minutos de percurso com muito mais balanço que na vinda. E, no continente, o filho de Renato levou os hóspedes em uma picape 4x4. Desta vez, a van esperava numa distância segura, longe da areia encharcada.

Ilhas, com chuva, perdem o mistério. Dá vontade de voltar para casa. Só que, os 40 km de distância da volta transformaram-se num martírio: tivemos que encarar o trânsito pesado do retorno do feriadão. O povo de Florianópolis também procura por outras praias! Foram mais de duas horas para percorrer tão curto percurso de Palhoça até o aeroporto de Floripa.

No final, entre perdas e ganhos, fica o seguinte: o lugar é lindo, com excelente atendimento. Mas é uma viagem cara. A fantástica gastronomia, por exemplo, tem o seu preço. E ele é bem alto. Contando a passagem aérea, o transfer, as diárias e mais a comida e bebida (que são à parte), a viagem ficou em cerca de R$ 2 500 por pessoa para três dias. É o preço da exclusividade.

Bem, valeu a pena gastar tal importância? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.

Por: Sergio Quintanilha às 19h56

Sobre o autor

Sergio Quintanilha, 48 anos, é jornalista. Criador da revista Minha Viagem e publisher da revista Motor Quatro, da Editora Cadiz, e fundador da Avião Revue, da Motorpress Brasil. Viajante desde os 13 anos, nasceu em Maringá, mora em São Paulo, vive no mundo e acredita que não existe presente melhor pra si mesmo do que uma viagem.

Sobre o blog

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