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Círculo Polar Ártico

Não é fácil chegar a Arjeplog, uma cidadezinha no Nordeste da Suécia, quase colada ao Círculo Polar Ártico. O que diabos fui fazer em Arjeplog? Visitar o Papai Noel? Não, apesar de a população um pouco mais ao norte garantir que o bom velhinho veio dali. Em Arjeplog fica um imenso lago que os fabricantes de automóveis transformam em pista, nos meses de dezembro a março, para testar os carros em condições extremas.

Levei 30 horas para viajar de São Paulo a Arjeplog, trocando de avião em Frankfurt, trocando de novo de avião em Estocolmo e depois pegando um ônibus para percorrer os últimos 245 km em estradas cobertas de neve.

Fazia -35 graus quando cheguei a Arjeplog. Não havia hotel disponível para todo o nosso grupo, pois a cidade é muito pequena, de forma que eu mais quatro colegas tivemos de nos instalar em apartamentos que ficam vazios durante o inverno.

Felizmente, no segundo dia a temperatura subiu para -17 graus e no terceiro dia para -3 graus, o que tornou minha estada em Arjeplog mais suportável. Entretanto, no final da tarde que fez -17 graus eu e mais dois colegas saímos para procurar um bar, algum lugar onde passar o tempo, quando literalmente congelei por dentro. Voltamos rapidamente para o apartamento de minha amiga e eu sentia meu corpo gelado por dentro. Achei que teria uma hipotermia. Felizmente conseguimos ligar o fogão elétrico e fazer um chá, o que me deixou melhor.

Dirigir na neve é uma experiência incrível, mas isso eu vou contar na matéria que farei para a revista Motor Quatro.

Evidentemente, Arjeplog e região é um lugar que não recomendo para ninguém, até porque a entrada nas pistas de testes é proibida. Se, apesar de tudo, alguém quiser arriscar, sugiro os meses de primavera ou verão europeu, quando a região fica habitável e muito bonita. O Hornavan Hotell (www.hornavanhotell.se) é o melhor de Arjeplog. A comida é feita basicamente de carne e peixe. É saborosa. O melhor vinho que encontrei foi um tinto... chileno! Na noite em que quase congelei, participei de um jantar viking. Todos numa cabana, em volta de uma fogueira, saboreando ótimo salmão cru e deliciosa carne de alce. Infelizmente não consegui beber na cabeça do inimigo ;-)

Finalmente, o ponto onde alcançamos o Círculo Polar Ártico é decepcionante. Tem uma placa mixuruca e a citação em várias línguas de que ali começa o círculo. Bem que poderia ter feito uma escultura, talvez em pedra, de um globo terrestre com a localização exata de onde se está.

Infelizmente, não consigo postar hoje as fotos que fiz porque perdi o cabo que passa as fotos da câmera para o notebook. De qualquer forma, deixo uma aqui, da própria internet, para vocês terem ideia do que estou falando.

E agora que percorri os 245 km de volta e depois peguei um voo de 80 minutos entre Lulea e Estocolmo, posso dizer que estou muito mais feliz na civilização.

Por: Sergio Quintanilha às 14h54

De volta à civilização

É muito bom estar de volta à "civilização", depois de passar três dias próximo ao Círculo Polar Ártico. Estocolmo é uma cidade bonita, mas como a neve está derretendo, algumas áreas ficam com paisagem suja, feia.

O hotel Sheraton, obviamente, é tudo de bom.

Já estive hoje no bar de gelo da Absolut. Não recomendo. Já estive em algo parecido em Las Vegas, o que foi curioso porque lá estavámos com 40 graus e entramos num ambiente de -5 graus.

Tenho dois testes de voos feitos e pretendo postá-los em breve.

Por: Sergio Quintanilha às 14h09

Suécia e Suíça

Peço desculpas por não ter colocado nenhum post "profundo" nos últimos dias. É que estava me preparando para uma viagem à Suécia e Suíça, que começa hoje.

Pretendo escrever sobre Estocolmo e Genebra.

Também estão na minha pauta algumas impressões de voo.

Primeira coisa: viajar para a Europa durante o inverno deles exige uma mala gigante, pois vou pegar -15 graus centígrados. E saindo daqui neste calor, imagina como é. Até a roupa com que se vai ao aeroporto e depois se viaja é diferente. Casacão, botas, luvas, gorro, cachecol e muita lã fazem parte da minha bagagem.

Au revoir!

Por: Sergio Quintanilha às 12h39

Impressões de voo

Amigos, viajo esta semana para a Europa. Pretendo postar minhas impressões de voo, e as oportunidades serão boas.

Lufthansa em dois voos intercontinentais: São Paulo/Frankfurt/São Paulo.

Lufthansa em dois voos europeus: Frankfurt/Estocolmo e Genebra/Frankfurt.

SAS em dois voos internos na Suécia.

EasyJet em um voo Estocolmo/Genebra.

Legal, pois dará para avaliar uma companhia de ponta (Lufthansa), uma companhia de ótima referência (SAS) e uma low-fare (EasyJet).

Espero poder contar todos os detalhes dos voos para os leitores do blog.

 

Por: Sergio Quintanilha às 21h03

Voando pela Emirates

A melhor opção para quem quer ir a Dubai, evidentemente, é a Emirates, uma ótima companhia aérea que tem voos diários ligando São Paulo ao emirado.  Mas (sempre tem um mas) toda aquela mordomia que se vê em folhetos e propagandas da Emirates só está disponível na classe executiva ou na primeira classe. A classe econômica da Emirates é igualzinha a todas as outras no que diz respeito ao espaço para as pernas.

Quando fui para Dubai, tentei adiar minha passagem por dois dias, em razão de uma gripe. Era o auge da gripe suína e não convinha eu aparecer no aeroporto espirrando. Muitas pessoas usavam máscaras. Tentei de todas as formas convencer a Emirates de que seria melhor para mim e para todos os passageiros se eu viajasse dois dias depois, já recuperado. Não adiantou e fui com gripe mesmo. Felizmente, não era suína.

Bem, tirante o estresse da "negociação" por terra, onde a Emirates mostrou ser tão inflexível como quase todas as companhias aéreas, o voo em si não foi lá essas coisas. O avião atrasou mais de uma hora para sair de São Paulo e isso trouxe alguns transtornos, devido ao horário.

O voo EK 262 parte de Guarulhos à 01h25. Um horário em que, convenhamos, todo mundo já jantou ou comeu alguma coisa. Mesmo assim, cerca de uma hora depois da decolagem, começa o serviço de bordo, um jantar leve. Mas aí já eram 3 horas da madrugada para quem estava naquele voo. Eu e muitos passageiros nem quisemos comer, mas por volta das 8 horas da manhã quase todo mundo acorda, querendo café da manhã. Só que o voo leva no mínimo umas 15 horas, e daí você tem o dia inteiro para voar rumo à África e depois rumo aos Emirados Árabes Unidos. Em resumo: quando você chega em Dubai, às 23h05 locais, está um bagaço.

Duas coisas positivas para compensar o assento apertado. Existe muita comida disponível a bordo, o tempo todo, bem como bebidas. Normalmente formam-se grupos de passageiros insones na "cozinha" do avião. E o entretenimento a bordo também é imbatível, são dezenas e dezenas de opções de músicas, filmes, documentários etc.

O avião utilizado é o que há de melhor, um Boeing 777-300 ER, muito moderno e confiável. A tripulação é simpática, mas nem todos os comissários são atenciosos.

O vôo de retorno também tem um horário difícil. Parte às 08h35 de Dubai e chega em São Paulo às 16h30.

Por: Sergio Quintanilha às 15h00

Dubai, a fantasia árabe

Muita gente me pergunta se vale a pena ir para Dubai. Estive lá uma vez e afirmo: depende do hotel em que se vai ficar. Tudo em Dubai é exagerado. Lá fica, por exemplo, o maior edifício do mundo, o Burj Khalifa Tower, com estonteantes 828 metros de altura, e o Burj Al Arab, talvez o hotel mais luxoso do mundo, em Jumeirah Beach. Dubai é um dos sete Emirados Árabes Unidos.

Madinat Jumeirah reproduz os contornos de uma vila árabe ligada por canais. Daí se vê a imponência do Burj Al Arab, que parece uma vela gigante entregue ao céu sempre límpido. Em Dubai você pode se dar muito bem, ou muito mal, dependendo do grau de informação que leva consigo.

Quando fui a Dubai, não tinha dinheiro para ficar hospedado no Burj Al Arab, onde ocorreu uma convenção internacional de revistas do mundo inteiro, em Jumeirah Beach. Decidi então ficar no centro da cidade, no Holiday Inn, um hotel que costuma ser bom em qualquer lugar do mundo. Mas como eu era ignorante sobre Dubai! Nada, absolutamente nada que eu imaginava sobre a cidade se confirmou.

Na minha primeira manhã, decidi dar um pequeno passeio às margens do canal que ficava no centro, na esperança de ver aquela vila árabe que aparece nas fotos. Peguei um táxi e, quando achei que estava próximo do lugar, pedi para descer. Meus amigos, eu estava literalmente nonada! Andei quilômetros e não vi algo que sequer lembrasse a tal vila árabe. No entanto, o rio estava lá, enorme, e havia muitos prédios do outro lado da margem. Um sol de três desertos queimava implacavelmente e aquela "rua" em que eu decidi pular do táxi era na verdade quase uma rodovia. E não havia táxi vazio. Depois de umas duas horas vagando na área central de Dubai, sem chegar a lugar nenhum, consegui um táxi e voltei para o hotel.

Como já era umas duas da tarde, resolvi almoçar num dos muitos restaurantes que ficavam perto do hotel. Entrei no primeiro e pedi uma cerveja. Não vendiam. Troquei de restaurante. Entrei em mais dois e também não vendiam. Aí fui me informar, pois na noite anterior eu havia bebido cerveja no hotel, portanto a bebida não era proibida. Não era? Era sim. Só se bebe dentro dos hotéis!

Foi aí que eu descobri que toda a vida "ocidental" de Dubai só acontece entre as paredes dos hotéis. Altas festas, bebidas, mulheres bonitas, narguile e outros prazeres são totalmente liberados em Dubai... dentro dos hotéis! Tanto melhor sua estada na cidade quanto melhor for o seu hotel.

Fora dos hotéis, a vida leva o padrão árabe. O mais legal que se pode fazer são compras, mas em Dubai não existem coisas muito baratas para comprar. Quando decidi fazer um city tour com a agência de turismo de meu hotel, finalmente entendi Dubai.

Primeiro: a tal vila árabe cercada por canais é somente uma fantasia a mais da cidade, e fica em Jumeirah Beach, inacessível para quem não está hospedado lá. O rio que vi no meu primeiro dia não tinha nada de turístico e ligava duas partes da cidade. A cidade não é bem uma cidade, é um país. As distâncias são absurdas. Às vezes você viajava 30 ou 40 km para ir de um ponto a outro sem nada importante no meio. Os prédios são tantos e tão altos que não dá para acreditar o que toda aquela gente e aquelas empresas foram fazer em Dubai.

Há 20 anos não havia nada disso. Só deserto. As calçadas, todas têm sistema artificial de irrigação para manter a grama verdinha. São centenas, provavelmente milhares de quilômetros de irrigação. A Sheik Zayed Road, maior avenida de Dubai, tem nada menos de oito pistas bem largas.

Agora, imagina como era a vida no meu hotelzinho três estrelas se o Burj Al Arab, por exemplo, tem sete estrelas...

Mas nem foi isso o que mais me chamou a atenção em Dubai. O que realmente me deixou em dúvida sobre gostar ou não da cidade foi o fato de que não existe uma civilização, não tem uma história que foi construída aos poucos, ao longo dos anos. Dubai é o retrato acabado do mundo capitalista. Tudo que lá existe foi criado pelo dinheiro e para o dinheiro. A cidade se transformou num ponto turístico e de negócios não porque tivesse algo que atraísse para lá, mas sim porque o dinheiro levou para lá.

Quer ir para Dubai? Vá, é curioso conhecer. Mas não esqueça que sua vida terá a liberdade que o seu hotel permitir.

Por: Sergio Quintanilha às 13h50

Sobre o autor

Sergio Quintanilha, 48 anos, é jornalista. Criador da revista Minha Viagem e publisher da revista Motor Quatro, da Editora Cadiz, e fundador da Avião Revue, da Motorpress Brasil. Viajante desde os 13 anos, nasceu em Maringá, mora em São Paulo, vive no mundo e acredita que não existe presente melhor pra si mesmo do que uma viagem.

Sobre o blog

Descubra a alma das cidades, conheça os melhores lugares para se hospedar e tire o máximo de sua viagem de avião ou de carro. Aqui você encontra dicas de passeios, promoções de viagens e crônicas de um eterno viajante.

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